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Governo quer empresas na operação do Sine

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A equipe econômica prepara uma remodelação do Sistema Nacional de Emprego (Sine) que vai permitir que pessoas ou empresas invistam na operação dessas agências para intermediação de emprego. A meta de longo prazo é construir um sistema misto, com unidades operadas por Estados e prefeituras (hoje os únicos conveniados) e empresas privadas, que poderão ganhar dinheiro com os serviços prestados – cobrando apenas dos empregadores.

A adoção do modelo é o passo seguinte ao compartilhamento da base de currículos do Sine com empresas, na tentativa de melhorar os índices de sucesso na alocação dos trabalhadores nas vagas disponíveis, medida elencada nas prioridades dos cem primeiros dias do governo.

Apesar de uma rede com bastante capilaridade – são 1,4 mil em todo o País –, as agências do Sine responderam em média por apenas 3% das admissões formais registradas no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) em 2018. Há lugares com índice melhor, como o Ceará (12%), mas também há quem registre desempenho muito pior, como o Estado do Rio de Janeiro (0,6%).

“O Sine hoje é todo público, e a gente quer passar para um sistema misto, você poder abrir uma agência do Sine com o seu dinheiro e ganhar dinheiro com isso”, diz o secretário de Políticas Públicas de Emprego do Ministério da Economia, Fernando de Holanda Barbosa Filho.

Desempenho

No modelo atual, os governos estaduais e municipais firmam convênios com o governo federal para operar as agências do Sine. Para isso, recebem transferências em valores “bem modestos”, reconhece o secretário. A questão é que o dinheiro entra independentemente do desempenho das agências. “Temos dificuldades em captar a vaga (oferecida pelo empregador), nosso conveniado não tem nenhum estímulo, ele recebe o dinheiro arrumando ou não”, explica Barbosa Filho.

No modelo misto, os governos estaduais e municipais poderiam continuar operando, mas haveria um contrato de gestão para remunerar conforme o desempenho, ou seja, pela quantidade de pessoas que conseguiram emprego com a ajuda das agências. Esse contrato também seria firmado com os entes privados que quiserem operar dentro do Sine.

Os operadores das agências, públicos e privados, também poderiam cobrar pelos seus serviços – mas sempre do empregador. A mudança no modelo dependerá do envio, no futuro, de um projeto de lei. Por enquanto, os esforços da equipe estão concentrados em medidas que podem ser adotadas de imediato, sem depender do Congresso Nacional. Uma delas é a abertura da base de dados do Sine para as empresas de recrutamento.

O secretário assegura que as empresas recrutadoras não terão acesso a informações sensíveis, como nome, telefone, endereço, gênero ou raça. Só poderão operar com base em dados como escolaridade e experiência.

Fonte: O Estado de S.Paulo
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